Foram nesses momentos de observação contemplativa que percebi a correspondência que havia entre o ato de empinar pipa e o Sanyasi, o asceta, o buscador espiritual. Ambos, crianças... Praticantes brincantes na arte da leveza, no silêncio interior, na meditação. Exercitam-se em campo aberto, desprendidos, expostos sob a luz do sol. Sem temer a queda, entregam-se por inteiro. Tanto um quanto outro, no êxtase do momento, não vê o perigo. Focados tem um só objetivo: estar no ar em equilíbrio!
Quando vejo um menino empinando pipa sei que é um ato de liberdade, um ritual de passagem, aprendizado, o simples na totalidade! Sabedoria ancestral: nada na cabeça, tudo no lugar!
PS: Atualize-se! Nesses tempos onde a imagem se projeta como uma pipa virtual através das linhas quânticas do não espaço/tempo cibernético, alheia às dimensões do continuum real, uma sugestão: dá um tempo, maluco! Vá empinar pipa! É a melhor das terapias. Mas vai limpo, sem a droga do cerol, é claro!
Namastê (abril/2012)
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Via Láctea
Quando vejo um menino empinando pipa
Dandolin dando linhassim na terrassim no céu
Aparando nuvens, desbicando estrelas, cometas...
Junto espaço-tempo, giro o carrossel
No Sol, a vontade, o coração comanda
e manda, busca...
Salta horizontes... de horizontes... ao montes!
Urbe, via láctea, galáxia
Terra, nave mãe!
Nada na cabeça tudo no lugar
Quando vejo um menino empinando pipa
Dandolin dando linhassim na terrassim no céu
Brilha o sentimento no olhar alado, irado...
O sonho por um fio no fim do carretel!
Vibra o pensamento vento abre asas e vaza... sinistro
voa no infinito, de finitos, finitos...
Relo, rabiola, despenca a pipa solta no ar!!!
... nada na cabeça tudo no lugar